quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Curas

A Fal escreveu uma engraçadíssima crônica sobre os ataques manifestos de melancolia.
Sem qualquer possibilidade de expressar meu humor numa escrita tão vigorosa e bonita como a dela não pude deixar de considerar os ataques de melancolia que eu vivi em épocas anteriores.


Penso que esses ataques não eram tão claramente expressos. Na verdade, eram insidiosos.

Quando eu tinha feito qualquer coisa que mereceria um puxão de orelha ou quando pintava uma
angústia daquelas inexplicáveis ou quando eu tinha sofrido uma decepção; qualquer coisa assim,
que a gente costuma chamar de tristeza,
no café da manhã, lá estava meu avô, que parece que adivinhava
o mau estado de ânimo que eu carregava
e compenetrado serrava uma grossa fatia de pão,
que a seguir dividia em tiras também grossas
então empurrando o seu prato na minha direção
dizia com seu timbre nasalado no
sotaque carcamano:
"Pocha Bela, pocha."

Eu obedecia imediatamente, encharcando o pão no café com leite
e me inclinando rapidamente para morder sobre a tigelinha
 – ainda tomávamos o café com leite em tigelas, feito os franceses.

Café adoçado com açúcar e leite integral e as tiras eram cortes do filão de pão de banha.

Ao fim da refeição, meu avô agradecia: "Graças a Deus hoje também comemos"

Talvez pelo o fato de perceber meu avô
atento às minhas prosaicas mazelas,
ou por ter aquele ritual serenamente cumprido
ou talvez, devesse à comida de verdade
sem diet ou light depois do nome de batismo,
 a verdade é que minha tristeza ficava encolhidinha,
no fundo da minha alma e quando a tristeza ia embora
eu já nem me lembrava do porque de ela haver se instalado.





Então inté...

terça-feira, 10 de março de 2015

O Lago


Já havia lido e me apaixonado
pelo bruxinho inglês quando fui ver o filme,
temendo pelo resultado porque sempre desejamos
que as imagens que nossa fantasia realiza
quando lemos qualquer coisa,
sejam as imagens reveladas na tela,
Criadas por qualquer cineasta no entanto,
mesmo aquele que é genial,
o filme nos decepciona.

em primeiro lugar porque o livro não é o filme.
Livro e filme são duas linguagens diferentes,
depois porque a tela
revela um imaginário que nada tem com o nosso
porque somos inexoravelmente... outras pessoas,
não somos nem o diretor, nem o escritor.

Deixando de lado as considerações acima.

O filme começou bem.
O jovem ator me encantou e seus amiguinhos, professores,
o guarda caças, o primo, os tios
satisfaziam perfeitamente minhas pretensões co- autorais.

quando nos aderredores da escola,
os novos alunos
tomam os barcos
para chegar ao castelo,
eu ouço uma alusão orquestral ao Lago dos Cisnes.

Claro que atenta ao desenrolar das cenas

eu registrei o fato

mas empurrei pro lado minha estranheza

e me fixei na trama.

Depois de um tempo, comentários,
opiniões, tergiversações várias,
concordâncias e contradições,
críticas e interpretações desenvolvidas
O lago dos cisnes fez todo o sentido para mim,

o patinho feio que deixava a casa dos tios "patos"
era o belo cisne, invejado e admirado no colégio interno

Aquele que recebia as mais atentas instruções
dos professores mais destacados da escola,
o que tinha os melhores amigos,
que foi destinado para a mais desejável Casa.

As perdas que ele sofre são as perdas da adolescência:
irreparáveis. Instâncias insubstituíveis.
Senha de ingresso ao mundo adulto.

Tudo vai fazendo nexo.

Por que então fui traída por autora e roteiristas no final da Saga?



                                       
                                                                                               Foi assim...      Até já.


Velhice


08 ABRIL 2009



Não me faças esperar
Nos lugares marcados
Teus medos estarão ali
Teus venenos
Tuas volúpias.

Eu estarei visível
Pretendida
Não me queiras adivinhar
Nos meus modos
Eu sou digna
Exibida

Não me reconheças sob meus véus
Eu sou mansa
Sábia
Eu me demoro

Não me queiras medir
Minhas plumas,
pedras e metais
Minhas armas
Estandartes e enfeites
Vou além das medidas
Sou folgada

Tenho estranhos trajetos
Sob meus cílios
Tenho colinas e vales
Rios largos
Mares Verdes
Solo fértil
Tenho mapas nas veias
Azuis sob a pele fina,
Geografias nas palmas macias das mãos

Não me ouças como
Orquestra
Sou banda
Fanfarra
Naipe de cordas ou de sopros
Incompleta, pausando
Reunindo-me em diversas vozes
Em diferentes andamentos

Não me faças cantar
Eu danço, flutuo
Requebro e volto a girar

Não me saboreies
Além dos cheiros verdes,
Dos eflúvios e vapores,
Dos caldeirões e gamelas,
Das cores fatiadas,
Dos grãos espalhados,
De todo o espectro da luz.

Nas ilhas de frescor
Do meio-dia
Estarei em repouso
Respirando profundamente

Não me denuncies
Minhas tradições
Eu seduzo
Engano
Divido

Eu não abandonei nada
No caminho
Só não me deixei levar
Estanquei diante
Do imponderável
De uma manhã clara

Não me forces
Palavras de amor
Meu corpo está disponível
Minha alma se insinua
Nas dobras dos lençóis

A pele nacarada
Dará continuidade
Da testa aos ombros,
Ao torso,
Ao calcanhar.
Minhas ondulações são navegáveis.

Eu me uno estreita e fácil
Aos corpos que
Se me oferecem
Serei a taça
O tinto excessivo
Encorpado cheiroso.

Não me faças declarar
Meus nomes
Meus endereços
Minhas rendas
Eles estão brilhando
Em meus seios
E meus joelhos.

Falsos documentos
Das minhas idades.

Inezita

Descendente do Almirante Barroso (o da Guerra do Paraguai).
 a moça da sociedade cujo pai " Não fazia gosto"(sic)
que a filha tocasse violão,
a folclorista, cantora, violeira, atriz,  promotora cultural,
risonha, bela,estilosa, dona de voz invejável,
deu- nos grandes alegrias e nos ofereceu grandes momentos
de beleza, de prazer, de arte.
Deixou-nos referências que nos identificam,
resgatou a figura do jeca: alijou o sujeito triste e desvalido
e fez emergir  o dono de  cultura preciosa,  o caipira
paulista dos quatro costados. Querida. Querida.
Seu nome, no diminutivo, dá - nos a ilusão de sermos íntimos
dessa mulher gentil, valente, digna.

Porque ela morreu, deixando um buraco imenso
causando desarmonia no espaço vou pensar nela,
entre tantas outras músicas que ela celebrou,
na canção que divertia nosso dia, cada vez que ela cantava.


C'a marvada pinga é qu'eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dô meu taio
Pego no copo e dali num saio
ali mermo eu bebo, ali mermo eu caio...
Só prá carregá é qu'eu dô trabaio. Oi lai

Eu bebo da pinga porqu'eu gosto dela
Eu bebo da branca bebo d'amarela
Bebo no copo bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja em quarqué tempo vai pinga na guela...

Pego o garrafão e já balanceio
Qué pra mode vê se ta mermo cheio
Num bebo de veiz porque acho feio
No primeiro gole vô inté no meio
Mais é no segundo qu'eu desvazeio. Oi lai

Cada veis qu'eu caio, caio deferente
'meaço p'a trais e caio p'a frente
Caio devagar, caio de repente
Vô de currupio, vô deretamente
Mai sendo de pinga, caio contente.

Venho da cidade, já venho cantando
Trago o garrafão que venho chupano
venho pros caminho venho trupicando
Chifrand'os barranco venho gambeteando
no lugar qu'eu caio já fico roncando. Oi lai

Marido me diss'ele me falô
"Largue de bebê peço por favô",
Prosa de hóme nunca dei valô
Bebo c'o sor quente p'a esfriá o calô
E bebo de noite práfazê suadô. Oi lai

Eu fui numa festa lá no rio Tietê
Eu lá fui chegano p'ro amanhecê
Já me dero pinga pra mim bebê,
Já me dero pinga pra mim bebê
(Tava sem fervê)
Eu bebi demais e fiquei mamada,
Eu cai no chão e fiquei deitada
Ai eu fui pra casa de braço dado
Ai de braço dado com dois sordado
Oi muito obrigado!


Adeus Inezita.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Momo de Novo


Acho que todo mundo vai gostar desta marchinha.

Faz parte da tradição carnavalesca

a alusão brincalhona aos temas conhecidos

nas músicas para dançar nos salões e nas ruas,

(agora nos sambas enredo).

Esta, maravilhosa, é do Professor de ciências dos meus netos

na Escola Oga Mitá.

Professor Roni Valk.

De novo Momo

e este ano torcendo para o prof ganhar

o Concurso de Marchinhas do Rio de Janeiro.


                                                   Então foi assim...               Até já.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ano Novo de Novo




Quando menina, eu não entendia as coisas que me diziam sobre as estrelas, os planetas, as luas e galáxias.


Ficavam umas falhas no trajeto do meu raciocínio e
eu insistia em querer mais explicações.
Explicações essas que nunca me satisfaziam.

Hoje eu sei que ainda não havia encadeamento
no conhecimento das questões que me incomodavam.

Precisávamos dos super observatórios transitando pelo espaço
ou fincados aqui no planetinha azul
prá garantir que na prática a teoria era assim mesmo.

Precisávamos de fotografias do Big Bang,
do som e fúria do caos inicial, de
retratos de estrelas nos berçários,
da garantia de que não estamos inexorávelmente
rolando para a beira de um buraco negro.

A todos os físicos,matemáticos, astrofísicos,
químicos, filósofos
enfim, todos os sábios
que tornaram possível a compreensão do Cosmo,
ao longo da história da Humanidade,

toda essa gente pensante e generosa que
não reservou suas reflexões e achados prá uso pessoal.

Obrigada.

2015 é um ano melhor
porque sabemos mais.

Por compreendermos mais
devemos ser mais responsáveis,
somos obrigados a ser mais bondosos,
mais éticos,
mais dignos dos nossos atributos humanos.

Vamos envergar nossa fatiota branca,
botar o champanhe prá gelar e
brindaremos à meia noite
em honra das nossas boas qualidades.

O tempo está nos chamando
para a festa que ele oferece a cada 365 dias.

Somos convidados prá essa comemoração.






Feliz Ano Novo. Até 2015.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Crise grega I. Belerofonte.

"Perseu montou uma firma de segurança com Belerofonte.
Cuidam só de celebridades."

Quando um herói grego é citado, vem à baila,
imediatamente Hércules- melhor dizendo: Héracles.

Pois bom, a saga dos heróis antecede

Héracles e seus doze trabalhos.

Belerofonte é mais antigo
e também tem trabalhos memoráveis.

Lá vai:
Belererofonte era filho de Sísifo.
(Seu pai Sísifo, foi,
séculos depois, imortalizado no romance
do argelino existencialista Camus.
Muito boa leitura aliás.)

Pois bom,
Belerofonte era bem brigão e um pouco atrapalhado.
Mata seu irmão Delíades, "sem querer"
(crente que sou na intencionalidade do ato falho,
duvido muito dessa desculpa)

Belerofonte faz isso depois de ter morto
numa outra contenda,
um vizinho lá do pai dele chamado Beleros,
o que provoca uma reação tão valente
nos aderredores que ele é banido da sua pátria.

Não podendo ficar por perto da sua casa,
por ter deixado toda a vizinhança nos cascos
com as duas mortes, ele pede asilo prum
reino mais distante: Tirinto.

O rei dali, Preto, segue a tradição de oferecer
pompa e festejo àqueles que lhe pedem pousada.

Recebe Belerofonte generosamente.

O Preto é casado com Antéia.
Antéia fica maluquinha pelo Belerofonte.
Oferece-se numa desfaçatez ousadíssima.

O Belerofonte se esquiva,
diz que está com dor de cabeça,
arranja umas caçadas longas e
longe do Palácio do Rei Preto,
desfila com umas gurias engraçadinhas
na frente da Altéia...

Tudo prá se manter leal ao Preto,
que havia lhe dado guarida quando ele estava na pior.


A Altéia bravíssima,
por ser recusada pelo seu hóspede,
mente pro Preto que o Belerofonte
está se inclinando para ela.

Resultado: Preto manda o Belerofonte
pro reino do Iobates, pai da traidora da Altéia.

Uma vez na Lícia começa tudo de novo,
festejos, caçadas, banquetes, pelejas...
mas aí o Iobates lê a carta na qual o Preto conta
que o Belerofonte era um safado
que andou seduzindo a Altéia,
"Sua filha, ó aí meu..."

O Iobates não quer bater de frente
com todos os demais reis, seus amiguinhos...
(era um pouco sem educação matar um hóspede)
arranja um meio de se livrar do Belerofonte
disfarçando seu intento.

Manda o Belerofonte pra missão suicida
de dar cabo da Quimera.
Uma monstruosa figura que tinha
cabeça de leão, corpo de cabra, cauda de serpente,
e tinha um bafo que era fogo.
Imagine só!

É o Belerofonte também imaginou
e foi se aconselhar com o advinho Políido,
que diz para ele domesticar Pégaso,
que era o mascote das musas.

Pois bom,
ele coloca uma rede no pescoço do Pégaso,
e montado nesse cavalo alado,
ele realiza façanhas realmente heróicas.


foi assim... até já!



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Trocando em miúdos



Uma amiga reclamou
que a neta não entende
as piadas da série "crise",

que eu postei quando
o problema econômico da Grécia
fazia a manchete dos jornais,
domésticos e importados.

Ela também me disse que ela explica
mas quando faz isso,
a brincadeira proposta se esvasia.

Decidi contar cada mito
ou personalidade citados ali.

Espero conseguir
uma linguagem adequada
pra meninada.
Não acho legal eles pensarem que
mitologia é mesmo um porre.

Nem mesmo quando falo do
Dionisos, ou do Seleno seu
pai adotivo, os quais viviam
mais ou menos truviscados...



até já!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Suplício de Tântalo

Uma porção de expressões que nos vieram d'antanho
escondem sua origem.

Suplício de tântalo (assim mesmo, em minúscula)
passou a ser na linguagem corriqueira
uma forma de definir uma pena muito cruel,
muito dolorosa.

Vou contar de onde veio:

Havia um sujeito chamado Tântalo
que era amigo pessoal, dileto, do Zeus.

Era convidado pros jantares,
participava do carteado das quintas,
do aperitivo dos domingos e dos churrascos
da firma do Zeus, o Monte Olimpo, que eu desconfio,
devia ser uma firma de seguros
como era o Montepio antigamente.

Tântalo participava até dos banquetes
de ambrosia e néctar, a comida e a bebida
destinada aos deuses e tabú para o comum dos mortais.

Um dia querendo retribuir as gentilezas do Zeus,
Tântalo convida todos os olímpicos para uma festança.,

Às horas tantas, ele descobre
que todos os deuses dirão presença,
o que é raríssimo acontecer em qualquer festa
de qualquer anfitrião.

Pra ninguém deixar de ser servido
ele tem que botar mais água no feijão
e usa o filho, Pélope, pra completar o ragú.

Tântalo esquarteja a própria cria e o põe pra cozinhar.

Dizem os informantes que ele estava
testando a divindade do Zeus: queria saber,
se o Zeus ia se dar conta dessa manobra horrorosa.

Qualquer que seja o caso é de uma loucura
digna de cruzeiro infinito na Nau dos Insensatos.
E é quase isso mesmo que o Zeus pensa.

Condena o Tântalo a sentir sede e fome pra sempre.
Prende o maldoso num pé de romã e figo,
maçã e azeitonas, inclinado sobre um lago

O lago sobe e desce, obedecendo aos luares,
de tal forma que há vezes que a água ondula
sob seu lábio inferior, sobre seu queixo.

Quando Tântalo se inclina pra sorver a água,
esta se afasta e ele não consegue alcançar jamais.
Quando ele faz conchinha com a mão pra recolher um
gole, a água lhe escorre entre os dedos.

Os galhos da árvore estão carregadinhos,
tem todos os frutos já citados, em grande quantidade
mas cada vez que Tântalo estica a mão pra se servir,
uma ventania os coloca fora do alcance de sua mão.

Além disso tudo, há uma pedra enorme,
precarianente apoiada logo acima da árvore,
que ameaça a integridade do cranio
do Tântalo, o que deve ser un pouco aflitivo.

Todas essas penas, imputadas aos transgressores,
eram da alçada da Nêmesis, a deusa da vingança.

Acautelem-se, crianças, qualquer pecado será punido
e todas as ações são vigiadas.



foi assim... Até já!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Dióscuros

Respondendo aos que perguntaram e
informando aos que não se manifestaram,
comecei a falar dos dióscuros em julho,
com o cisne e Leda, a Mamãe Gansa.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Da pá virada: Clitmenestra


Tem gente que afirma que foi rapto,
tem gente que diz que foi transgressão voluntária
das irmãs, que eram mesmo da pá virada,
quero dizer que, as moças deram porque
queriam dar e fim de papo.

A verdade é que na família da Helena
essa história de rapto é uma constante,
muito mais comum do que
estatíscamente ocorre nas demais famílias.

A Helena tinha uma irmã, a Clitmenestra.
Esta moça, que devia ser bem bonita,
casou-se com um rapaz chamado Tântalo.

Teve um menininho desse casamento
e era tipo uma senhora de engenho,
bem felizinha com sua vida.

Eis que Agamenon se aprochega,
mata pai e filho,
tornando Clitmenestra viúva e desconsolada.

Ato contínuo, rapta a Clitmenestra
e quase provoca uma segunda desgraça na familia
pois os irmãos da viúva, Polux e Castor
querem punir o raptor.

Daí, Tyndaro, o pai de todos(mas não muito)
conversa e acalma e consola
até dissuadir os Dióscuros dessa empreitada.

Não é pra menos, foi ele quem aconselhara
a Agamenon a cometer o rapto.

Pois bom, lá vai Agamenon prá guerra de Troia.
Bota um vigilante, Egisto,
prá pra contar qualquer deslize da mulher

mas deixa ali prá distraí-la,
pelo tempo que estivesse fora,
um artista, que toca instrumentos,
compõe canções, faz versos...
(não havia tevê a cabo nesse tempo)

Na verdade, o artista, vai vigiar o vigilante.

Resultado: os dois foram infieis.

Quando, Agamenon, o marido traido volta da guerra,
é morto por ordem de Clitmenestra e Egisto.

Acontece que o Egisto era casado
com uma vidente, de pouco sucesso,
chamada Cassandra com quem tinha filhos.

A Clitmenestra juntamente com Egisto
manda matar a Cassandra com sua prole,
casa-se com o viúvo e vivem felizes para sempre.
Muito curtinho, o tal do sempre.

Orestes, filho dela do segundo casamento,
(quando ela foi raptada, lembra?)
mata a mulher ingrata e o padrasto.

E a história se fecha.

Que família! E você ainda se queixa da sua?


foi assim... Até já!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dióscuros: Castor e Polux


A Helena,a de Troia teve três irmãos nascidos de dois ovos.

Um ovo divino engedrado por Zeus. Outro ovo de Tyndaro.

O ovo de Helena era o divino e foi compartilhado por Polux.
O de Tyndaro conteve Clitmenestra e Castor.

Egressos dos ovos os quadrigemeos formaram paresinhos
como diz a antiga brincadeira de criança
"home com home mulhé com mulhé"

Os irmãos, Castor e Polux, tornaram-se inseparáveis.

São designados sob o ep´teto de Dióscuros:
Filhos de Zeus (Zios, Dios e Kouroi, homens jovens, adolescentes)

Hermes, como sempre o encarregado
das tarefas divinas mais delicadas,
carrega os dois para Pallene
para serem alimentados e educados.

Eles se comportam como heróis
livrando dos pirata todo o arquipélago,
daquela ilha onde foram instalados,

tornam-se argonautas de Jasão
participando da conquista do tosão de ouro,
resgatam Helena que havia sido raptada por Teseu.

Passam a ser considerado heróis marinhos
e são invocados nas tempestades.

Polux era o bambambam nas lutas,
Castor no hipismo e corria como o vento.

No entanto cometem uma besteira.
Tyndaro, o pai (de pelo menos um deles)
tinha um irmão, o tio Leucipo lá dos garotos,
cujo qual tinha duas filhas danadas de bonitas,
a Phoebe prometida a Linceu
e a Ilaire, prometida de Idas.

Já adivinhou?
Eles se lançam na empreitada de raptar as primas
e são perseguidos pelos ficantes,
briga daqui, batalha dali, luta por acolá,
Castor é morto pelo Lynceu.
Ele não era filho do Zeus, não era imortal.

O Polux vai lá e acaba com o Lynceu.
Finaliza, no jargão das artes marciais.

O Idas também golpeia o Polux
mas este era filho de Zeus. Era imortal, sabe como?

O Polux se recupera e vai pro Olimpo
pedir ao Zeus pai que ressuscite Castor.
Perda de tempo.
Zeus não pode atender a esse pedido,
porque ele divide a divindade com os irmãos.

Cada reino é de um irmão: Zeus no Olimpo,
Posídon nas águas e Hades no Hades.

Um não se mete nos dom´nios do outro.

Polux então resolve doar
metade da sua imortalidade pro Castor.

Resulta então que a cada seis meses
um deles vai para o Hades e o outro fica no Olimpo.

No céu a Constelação de Gemeos
tem duas estrelas principais, quando uma aparece
a outra se oculta e assim sucessivamente.

Com Polux e Castor também ocorre o mesmo.
Eles nunca mais se encontraram.


foi assim... até já!

domingo, 8 de julho de 2012

Paulistada

Nove de Julho,
Preparem-se para acordar ao som da marcha Paris-Belfort e um breve trecho da Bandeira Paulista lindamente declamado.
                                                Até já! (mesmo)

Os dióscuros. Mamãe Gansa.

"Um dia um cisne morrerá por certo,
e ao chegar esse momento incerto,
no lago, onde talvez a água tisne,
que o outro cisne cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca, ao lado de outro cisne."

Esse é o fecho de ouro de um soneto
apropriadamente chamado "Os Cisnes"

no qual, Julio Salusse afirma, poeticamente,
aquilo que os zoólogos contam
do alto dos domínios do seu conhecimento:

os cisnes são monogâmicos.

O rameirão do cotidiano, com assuntos
fora das ligações românticas oficiais, que compreende:

cantadas ao vivo e no feicebuque,
flertes, insinuações, declarações de duplo sentido,
encontros às escondidas,
celulares com duplo chip e chamadas criptografadas
motéis em estradas sinuosas e pilantragens várias,

não fazem parte do repertório dos cisnes...
Lindos e majestosos eles passam ao largo dos trambiques humanos

Ao contrario da Helena, que conheceu (biblicamente) alguns mancebos
na sua tragetória pré, intra e pós belicosa,

os cisnes se atém a somente um amor, por toda a vida.

Estou falando da de Troia, 'aquela' Helena.

Vou contar a historia...

Então Zeus se enamorou de uma bela e graciosa mortal (outra) esta é Leda

Já casada com Tyndaro  gostava dele bem muito e não queria enganá-lo.

Resolve enganar o Zeus e se tranforma num ganso.

O Zeus que era onipresente, onisciente, e onívoro
(ele comia de tudo e todas, né não?)
sacou o estratagema e se transforma num cisne.

Numa tarde quente, enquanto a nubente nadava candidamente,
num lago de águas claras, Zeus possui Leda

Eu não sei qual é a do cisne mas pato tem um conluio amoroso
rapidíssimo, sem preliminares nem nada.

Se assim foi, deve ter sido um fiasco e Leda, decepcionada,
deve ter achado que o deus tinha incontinência orgásmica.

Pois bom Leda, a gansa, botou dois ovos
de um deles nasceram Helena e Pollux filhos de Zeus
do outro ovo nasceram os filhos de Tyndaro: Castor e Clitmenestra.
Claro; os dois primeiros imortais, já que eram filhos do deus e
os outros dois menos bem aquinhoados pelo destino,
um dia morreriam por certo.

O legal nessa historia é que para alguns mitólogos
Leda era só o nome de disfarce da Nêmesis- deusa da vingança-
prá outros Leda era a babá,
para outros ainda, a mãe adotiva da Helena e seus irmãos.

Nêmesis jamais perdoou a filha por ser tão bela assim,
claro! ela era a própria 'vendetta'
e com feitiços e magia, torna a vida da Helena
um verdadeiro calvário nos quais ela sofre raptos,
e sua beleza provoca guerras e desgraceiras que nunca se acabam.

Como se vê a Branca de Neve é bem mais velha do que conta a lenda...

foi assim... Até já!

sábado, 7 de julho de 2012

De novo nove de julho.

Dia mal aberto, horizonte cor-de-rosa e berilo.

Friorento e mal agasalhado o menino com cara de índio,
alegrinho e buliçoso entregava o pão de porta em porta,
levados numa cesta de vime fixada na bicicleta.

Ele assobiava prá espantar os fantasmas das suas mágoas.
Pois é, ele as tinha.

A mãe morrera, ficara sob a guarda do pai severíssimo,
justo porém duríssimo que embora não ministrasse castigos físicos,
era um crítico cruel, e tornava a vida insuportável,
mantendo com os filhos a disciplina férrea que ele mesmo recebera dos jesuítas.
 
Entregar o pão para ganhar o pão,
era a menor das penas que a vida imputara àquele menino
que mal completara doze anos e já se sentia
absolutamente dono do seu destino. 

Além disso tinha todo o salário para gastar e ele adorava roupas.

A padaria lhe fornecia cama e refeições.
Dormia em "prateleiras" de concreto: beliches de três andares ligados à parede
com pijamas e lençóis feitos dos sacos
de farinha e de açúcar (ninguém veria mesmo!)
que a padaria fornecia de graça.

Sempre havia um padeiro casado que pedia à sua mulher
que fizesse pijamas para o  órfão da vez.
Daquela vez era ele.

Havia um ganho secundário nesse trabalho:
à noite, enquanto ouvia a arenga dos padeiros e ria das suas anedotas
ele cortava cuidadosamente algumas palhas,
justinho no feitio das tampas das garrafas de leite
e fazia os cordões para amarrar.

Era como se usava naquele tempo.

Conhecedor do trajeto do leiteiro ele cumpria seu próprio roteiro,
dando um jeito pro leite ter sido entregue antes do pão.

Manhã cedinho, as ruas vazias,
ele abria a garrafa deixada em uma ou outra casa,
que ele variava sempre, pra não se denunciar
e tomava no gargalo um gole de leite fechando em seguida
com a palha e o cordão adrede preparados.

Os padeiros perceberam seu expediente.

Um dia um deles pediu ao garoto que ele pusesse um papelsinho
na caixa do pão de uma certa casa de uma determinada rua.
" Não deixe ninguém ver!" Foi a ordem.

Ele tentou protestar mas os demais padeiros mostraram que
se ele tinha tecnica e sutileza pra tomar o leite
ele seria bem capaz de cumprir essa nova tarefa.

E assim ele fez.

Não por elegancia mas por timidez
não perguntou o que estava escrito nos recados lacrados.

De início ele pensou que estava deixando
poesias e carinhos pra uma  bonita cabocla,

depois o número de bilhetinhos  que ele teve que entregar
e a variedade de endereços,
fez com que o José Menino Tolosa entendesse que havia se tornado
um mensageiro da Revolução Constitucionalista.

"Quando se sente bater, no peito heróica pancada,
deixa-se a folha dobrada, enquanto se vai morrer."

Ele viu que alguns padeiros deixaram a folha dobrada.

Ele parou de tomar o leite alheio.
Não como um comportamento maduro e sim como uma forma de honrar os colegas mortos.

                                      até já!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carnaval, desengano...





Só um pouquinho de Momo, já que ele é o olímpico do carnaval

Tem mitólogo que diz que ele é masculino, o deus da gozação,
da crítica irônica, do sarcasmo, do prank,
do trocadilho, da piada..
. 
Momo é mostrado arrancando a máscara da face
e levando um bastão que denota o símbolo da loucura:
o castão é a cabeça de um boneco  circundado por guizos

É amigo de Como, o deus da alegria, das danças noturnas,
aquele que preside os banquetes, os festins, a libertinagem...

(Quem sabe é o dono do lago, tendo sido homenageado ao piano,
pelas raparigas em flor, até os idos de 1960.)

O deus Como é representado jovem
com a fronte circundada por uma guirlanda de rosas,
faces brilhantes pelo vinho,
carregando na mão direita um facho enquanto
a esquerda ampara sua bebedeira numa estátua.   

Como se pode perceber,
ambos os deuses foram misturados de tal forma,
que quando pensamos em Momo
os atributos de Como nos assomam à memória.

Etmológicamente, o verbo "moskathai" significa
ridicularizar, zombar, troçar.
Momo configura aquele que caçoa.

Na Teogonia, Hesíodo diz que Momo
é filha de Nix
e irmã das Hespérides,
aquelas que guardam os pomos de ouro.
É a deusa da pilheria, do chiste,
espirituosa, engraçada, palhaça...

É legal pensar também, que
as Hespérides tem a ver com
ocaso, fim de tarde, poente, anoitecer.
Nix, a  noite, é a mãe delas todas.

Penso que o dia foi feito para os assuntos graves, sérios, solenes.
É do por do sol em diante que brincar, caçoar, rir, divertir-se é permitido.

Pois é, a deusa Momo, do Hesíodo, dá um palpite feliz pro Zeus.

Houve um momento em que a Terra estava superpovoada.
Zeus dá tratos à bola pra diminuir a densidade demográfica,

porque a população crescia em progressão geométrica
enquanto os recursos da Gaia, a Terra,
cresciam em progressão aritmética.
(Um lance que um tal de Malthus vai prever milênios depois.)
A terra estava se esgotando

Zeus pensa em dizimar os seres excedentes
com cataclismas diversos mas não se anima,
porque,  um ato divino dessa monta,
não seria bem visto pelos seus devotos.

Ele não queria se expor ao desprezo dos humanos
mas também não inventa o DIU, a camisinha,
a pílula, nem mesmo a tabelinha ou os espermatozoides lerdos.

Exatamente como fazem os governantes hoje em dia,
é melhor botar a culpa dos desmandos, injustiças
e medidas desconfortáveis;
nas costas dos mortais comuns.

A deusa Momo sugere que Zeus engedre Helena
para suscitar a guerra entre Ásia e Europa,
provocando a guerra de Troia,

que durante dez anos, deu cabo de boa porção dos viventes,
do mundo conhecido à época.

Tal como hoje, as razões das guerras nunca são as declaradas.
O buraco é sempre mais em baixo.

                                   Foi assim..         Tenham todos um momesco carnaval.           Até já!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Qualquer maneira de amor

Os ginásios eram as academias gregas
Era ali que acontecia a malhação.

Treinar todas as modalidades esportivas em voga naquele tempo,
exigia, tal como hoje em dia,
constância, um bom personal treiner,
a porção blanceada de mel, azeitona, queijo feta e nozes
e  Nike aos pés
(os tenis não:  a deusa!
que oferece ao ginasta suas bençãos
e lhe garante vitória).

Não havia esteiras
que são aliás o maior paradigma do mundo moderno:
alguém que caminha sem destino, até a exaustão,
por uma estradinha curta sem paisagem,
para chegar a lugar nenhum.

Pois é, como acontece hoje, alí ocorriam enamoramentos.

Os mocinhos,
que mal apresentavam uma penugem leve
sobre as partes pudendas, nas faces e no buço,
eram avaliados pelos cidadãos,

enquanto se exercitavam nús, sobre a areia,
deixando nela a marca dos seus belos corpos
e levando neles  suave camada de
areia sobre o suor e unguentos.

O cidadão grego, o amante, inclinava-se para o jovensinho,
que se tornava seu ascecla, era o amado.

Embora algum mistério se propusesse enlaçando os envolvidos,
era segredo de polichinelo e os pais do ascecla deviam aprovar a parceria.

Em Esparta, os casais se eclipsavam dos olhares intrusos
por cerca de dois meses e voltavam, como se nada houvesse,
ao findar esse prazo..

À boca pequena na  ágora:
"Você viu por quem se inclinou o Cidadão Fulano?" -perguntava um
"Ah mas o rapaz é, mesmo, muito interessante!" -respondia o outro,

O grave era quando o ascecla e o cidadão
queriam prolongar o tempo regulamentar...
A paixão não devia fazer parte desse arranjo.

Para os gregos o pathos (a paixão) era uma forma de doença

O amado, era aquele que não experimenta qualquer reação,
nem física nem emocional.
Durante os conluios,
o amante, inclinava-se, era quem exercia a soberania,
quem exprimia entusiasmo( pleno de deus).

Assim que a penugem começava a se tornar hirsuta
o amado se convertia em amante,
era a vez dele percorrer os ginásios em busca
do ascecla que o tornaria entusiasmado.

Moral e moda tem a mesma raiz etmológica.

                                                          foi assim!     até já...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

13013

Olha aí um cabalístico de novo, gente!
Topei com ele quando abri o computador hoje. Foi o número de visitas.
Obrigada a quem leu e a quem foi gentil pra voltar depois deste longo afastamento.
Sò pra constar, o pintor da casa que me obrigou a silenciar por tanto tempo,
disse que volta hoje pra completar o serviço.

                                                                  até já!

Dionisos de novo

Claro que ele é o meu preferido,  embora haja um montão de deuses que sequer foram citados, eu volto ao Baccho, O Louro, tão belo, tão blasê, tão festeiro, sempre e sempre...

Então Dionisos se enamorou.
Foi a  descoberta de um amor absoluto e eterno.O primeiro amor.
Eram os dois jovens e alegres, fortes e plenos de sonhos e intenções...

Nas leituras que fazemos, parece-nos que Dionisos estava mais encantado, era mais apaixonado;
como ter certeza disso se ele costumava ser  por demais intenso em tudo o que lhe acometia?.

Pois bom:
Dionisos costumava jogar com os sátiros lá pelas bandas da Lídia.
(aqueles homens altos, de longas pernas de bode
e caras magras e compridas, de cavanhaque  pontudo sobre o queixo ídem,
que dominavam  as artes musicais,
e acompanhavam o séquito ruidoso de Dionisos,
compondo e tocando seus instrumentos )

Eles tem o tipo do Clark Gable " no vento levou" ou
o Errol Fline em todos os capespada, sá comé?.

Pois bom:
Entre eles havia um rapaz
cujo qual era observado por Dionisos atentamente.
O deus admirava seus longos cabelos esparramados sobre os ombros e peito,
o cor de rosa nacarado de sua pele, que tinha luz própria,

a força de seus membros a imobilizar os adversários nas lutas,
a gargalhada sonora, o olhar de descoberta, as mãos ágeis, o cheiro doce e acre.

Ampelo é desejado pelo deus que anseia que o rapaz
lutasse só com ele, jogasse só com ele,
fosse seu companheiro de folguedos e dos momentos graves.

E assim se fez.

Dionisos adorava quando nas lutas, eles se entrelaçavam,
e nas corridas eles se abalrroavam e rolavam na relva,
e adorava quando iam pro rio banhar-se

e o sol se filtrava nos cabelos do Ampelo
e se desdobrava em cores, sobre a pele do Ampelo nu.

Numa ocasião, um presságio divide Dionisos em duas reações antagônicas,
ele sofre desesperadamente e ri descontrolado:

Pois bom:
Numa fantasia,ele vê um dragão de chifres longos e agudos,
depositar numa pedra, um cabrito que trouxera inerte nos ombros.
Nessa pedra fica uma poças de sangue,
que o cabrito derrama quando,
o dragão lhe crava os chifres.

Devido a essa visão, o deus recomenda a Ampelo
que este poderia se acercar de qualquer animal que desejasse
menos dos touros com seus chifres

Ampelo não entendeu bem a advertência
e estando só, encontrou um touro entre as rochas,
acariciou seus chifres, amansando-o
e montou em sua garupa
mas uma mosca  põe-se a picar  a animalia, que corcoveia descontroladamente,

o moscardo fora enviado por Selene; lembra?,
a mãe do Dionisos, que está enciumadíssima

Vê que a fama das sogras se estabeleceu em tempos (e razões) ancestrais...

Pois bom:
Ampelo cai da montaria, rola pelo chão e é chifrado inúmeras vezes pelo touro, morrendo assim.
Dionisos não consegue lamentar o amado.
Não fora feito para prantear.
Não era afeito às lágrimas.

Um dos presentes ao velório, assistindo à sua dor, recomenda lhe um novo amor.
" Só isso fará acalmar seu coração"
Dionisos não consegue, nesse momento, olhar noutra direção.

O deus quer somente seu amado de volta.

Sabe que sendo um deus não poderá seguir o jovem ao Hades.
Um deus imortal...isso é o que ele é.

Ampelo é transformado em videira: a dor de Dionisos.
O pranto de Dionisos, as lágrimas de Dionisos,
são convertidas no fruto da videira, as uvas
têm a forma de pingos, de gotas, né não?

a frutinha que refaz a cor nacarada, rósea, do Ampelo.
e quando espremida com os dedos,
liberta sobre o braço divino o sumo acre adocicado.

.
                                    Foi assim!            até já...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O tempo perguntou pro tempo...

Estava bom demais aquele friosinho dos últimos dias... Já voltou esse calorão
i n s u p o r t á v e l.