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domingo, 8 de julho de 2012

Os dióscuros. Mamãe Gansa.

"Um dia um cisne morrerá por certo,
e ao chegar esse momento incerto,
no lago, onde talvez a água tisne,
que o outro cisne cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca, ao lado de outro cisne."

Esse é o fecho de ouro de um soneto
apropriadamente chamado "Os Cisnes"

no qual, Julio Salusse afirma, poeticamente,
aquilo que os zoólogos contam
do alto dos domínios do seu conhecimento:

os cisnes são monogâmicos.

O rameirão do cotidiano, com assuntos
fora das ligações românticas oficiais, que compreende:

cantadas ao vivo e no feicebuque,
flertes, insinuações, declarações de duplo sentido,
encontros às escondidas,
celulares com duplo chip e chamadas criptografadas
motéis em estradas sinuosas e pilantragens várias,

não fazem parte do repertório dos cisnes...
Lindos e majestosos eles passam ao largo dos trambiques humanos

Ao contrario da Helena, que conheceu (biblicamente) alguns mancebos
na sua tragetória pré, intra e pós belicosa,

os cisnes se atém a somente um amor, por toda a vida.

Estou falando da de Troia, 'aquela' Helena.

Vou contar a historia...

Então Zeus se enamorou de uma bela e graciosa mortal (outra) esta é Leda

Já casada com Tyndaro  gostava dele bem muito e não queria enganá-lo.

Resolve enganar o Zeus e se tranforma num ganso.

O Zeus que era onipresente, onisciente, e onívoro
(ele comia de tudo e todas, né não?)
sacou o estratagema e se transforma num cisne.

Numa tarde quente, enquanto a nubente nadava candidamente,
num lago de águas claras, Zeus possui Leda

Eu não sei qual é a do cisne mas pato tem um conluio amoroso
rapidíssimo, sem preliminares nem nada.

Se assim foi, deve ter sido um fiasco e Leda, decepcionada,
deve ter achado que o deus tinha incontinência orgásmica.

Pois bom Leda, a gansa, botou dois ovos
de um deles nasceram Helena e Pollux filhos de Zeus
do outro ovo nasceram os filhos de Tyndaro: Castor e Clitmenestra.
Claro; os dois primeiros imortais, já que eram filhos do deus e
os outros dois menos bem aquinhoados pelo destino,
um dia morreriam por certo.

O legal nessa historia é que para alguns mitólogos
Leda era só o nome de disfarce da Nêmesis- deusa da vingança-
prá outros Leda era a babá,
para outros ainda, a mãe adotiva da Helena e seus irmãos.

Nêmesis jamais perdoou a filha por ser tão bela assim,
claro! ela era a própria 'vendetta'
e com feitiços e magia, torna a vida da Helena
um verdadeiro calvário nos quais ela sofre raptos,
e sua beleza provoca guerras e desgraceiras que nunca se acabam.

Como se vê a Branca de Neve é bem mais velha do que conta a lenda...

foi assim... Até já!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carnaval, desengano...





Só um pouquinho de Momo, já que ele é o olímpico do carnaval

Tem mitólogo que diz que ele é masculino, o deus da gozação,
da crítica irônica, do sarcasmo, do prank,
do trocadilho, da piada..

Momo é mostrado arrancando a máscara da face
e levando um bastão que denota o símbolo da loucura:
o castão é a cabeça de um boneco  circundado por guizos

É amigo de Como, o deus da alegria, das danças noturnas,
aquele que preside os banquetes, os festins, a libertinagem...

(Quem sabe é o dono do lago, tendo sido homenageado ao piano,
pelas raparigas em flor, até os idos de 1960.)

O deus Como é representado jovem
com a fronte circundada por uma guirlanda de rosas,
faces brilhantes pelo vinho,
carregando na mão direita um facho enquanto
a esquerda ampara sua bebedeira numa estátua.   

Como se pode perceber,
ambos os deuses foram misturados de tal forma,
que quando pensamos em Momo
os atributos de Como nos assomam à memória.

Etmológicamente, o verbo "moskathai" significa
ridicularizar, zombar, troçar.
Momo configura aquele que caçoa.

Na Teogonia, Hesíodo diz que Momo
é filha de Nix
e irmã das Hespérides,
aquelas que guardam os pomos de ouro.
É a deusa da pilheria, do chiste,
espirituosa, engraçada, palhaça...

É legal pensar também, que
as Hespérides tem a ver com
ocaso, fim de tarde, poente, anoitecer.
Nix, a  noite, é a mãe delas todas.

Penso que o dia foi feito para os assuntos graves, sérios, solenes.
É do por do sol em diante que brincar, caçoar, rir, divertir-se é permitido.

Pois é, a deusa Momo, do Hesíodo, dá um palpite feliz pro Zeus.

Houve um momento em que a Terra estava superpovoada.
Zeus dá tratos à bola pra diminuir a densidade demográfica,

porque a população crescia em progressão geométrica
enquanto os recursos da Gaia, a Terra,
cresciam em progressão aritmética.
(Um lance que um tal de Malthus vai prever milênios depois.)
A terra estava se esgotando

Zeus pensa em dizimar os seres excedentes
com cataclismas diversos mas não se anima,
porque,  um ato divino dessa monta,
não seria bem visto pelos seus devotos.

Ele não queria se expor ao desprezo dos humanos
mas também não inventa o DIU, a camisinha,
a pílula, nem mesmo a tabelinha ou os espermatozoides lerdos.

Exatamente como fazem os governantes hoje em dia,
é melhor botar a culpa dos desmandos, injustiças
e medidas desconfortáveis;
nas costas dos mortais comuns.

A deusa Momo sugere que Zeus engedre Helena
para suscitar a guerra entre Ásia e Europa,
provocando a guerra de Troia,

que durante dez anos, deu cabo de boa porção dos viventes,
do mundo conhecido à época.

Tal como hoje, as razões das guerras nunca são as declaradas.
O buraco é sempre mais em baixo.

                                   Foi assim..         Tenham todos um momesco carnaval.           Até já!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dionisos de novo

Claro que ele é o meu preferido,  embora haja um montão de deuses que sequer foram citados, eu volto ao Baccho, O Louro, tão belo, tão blasê, tão festeiro, sempre e sempre...

Então Dionisos se enamorou.
Foi a  descoberta de um amor absoluto e eterno.O primeiro amor.
Eram os dois jovens e alegres, fortes e plenos de sonhos e intenções...

Nas leituras que fazemos, parece-nos que Dionisos estava mais encantado, era mais apaixonado;
como ter certeza disso se ele costumava ser  por demais intenso em tudo o que lhe acometia?.

Pois bom:
Dionisos costumava jogar com os sátiros lá pelas bandas da Lídia.
(aqueles homens altos, de longas pernas de bode
e caras magras e compridas, de cavanhaque  pontudo sobre o queixo ídem,
que dominavam  as artes musicais,
e acompanhavam o séquito ruidoso de Dionisos,
compondo e tocando seus instrumentos )

Eles tem o tipo do Clark Gable " no vento levou" ou
o Errol Fline em todos os capespada, sá comé?.

Pois bom:
Entre eles havia um rapaz
cujo qual era observado por Dionisos atentamente.
O deus admirava seus longos cabelos esparramados sobre os ombros e peito,
o cor de rosa nacarado de sua pele, que tinha luz própria,

a força de seus membros a imobilizar os adversários nas lutas,
a gargalhada sonora, o olhar de descoberta, as mãos ágeis, o cheiro doce e acre.

Ampelo é desejado pelo deus que anseia que o rapaz
lutasse só com ele, jogasse só com ele,
fosse seu companheiro de folguedos e dos momentos graves.

E assim se fez.

Dionisos adorava quando nas lutas, eles se entrelaçavam,
e nas corridas eles se abalrroavam e rolavam na relva,
e adorava quando iam pro rio banhar-se

e o sol se filtrava nos cabelos do Ampelo
e se desdobrava em cores, sobre a pele do Ampelo nu.

Numa ocasião, um presságio divide Dionisos em duas reações antagônicas,
ele sofre desesperadamente e ri descontrolado:

Pois bom:
Numa fantasia,ele vê um dragão de chifres longos e agudos,
depositar numa pedra, um cabrito que trouxera inerte nos ombros.
Nessa pedra fica uma poças de sangue,
que o cabrito derrama quando,
o dragão lhe crava os chifres.

Devido a essa visão, o deus recomenda a Ampelo
que este poderia se acercar de qualquer animal que desejasse
menos dos touros com seus chifres

Ampelo não entendeu bem a advertência
e estando só, encontrou um touro entre as rochas,
acariciou seus chifres, amansando-o
e montou em sua garupa
mas uma mosca  põe-se a picar  a animalia, que corcoveia descontroladamente,

o moscardo fora enviado por Selene; lembra?,
a mãe do Dionisos, que está enciumadíssima

Vê que a fama das sogras se estabeleceu em tempos (e razões) ancestrais...

Pois bom:
Ampelo cai da montaria, rola pelo chão e é chifrado inúmeras vezes pelo touro, morrendo assim.
Dionisos não consegue lamentar o amado.
Não fora feito para prantear.
Não era afeito às lágrimas.

Um dos presentes ao velório, assistindo à sua dor, recomenda lhe um novo amor.
" Só isso fará acalmar seu coração"
Dionisos não consegue, nesse momento, olhar noutra direção.

O deus quer somente seu amado de volta.

Sabe que sendo um deus não poderá seguir o jovem ao Hades.
Um deus imortal...isso é o que ele é.

Ampelo é transformado em videira: a dor de Dionisos.
O pranto de Dionisos, as lágrimas de Dionisos,
são convertidas no fruto da videira, as uvas
têm a forma de pingos, de gotas, né não?

a frutinha que refaz a cor nacarada, rósea, do Ampelo.
e quando espremida com os dedos,
liberta sobre o braço divino o sumo acre adocicado.

.
                                    Foi assim!            até já...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Crise IV

Mnemosine, está desenvolvendo um tão bom treinamento de leitura dinâmica e memorização que tem recuperado inclusive pacientes com Alzheimer.

Apolo tem feito avaliações para museus e galerias e é o leiloeiro oficial da Sothebis mas os marchands estão um pouco fartos dele. Ele é muito snob.

Adonis, que está de maneco exclusivo do Armani, está sendo sondado pelo setor de cuecas da Calvin Klein.

Jasão é  armador grego, fazendo iates maravilhosos, lanchas velozes que só!
Gasta seu tempo numas gincanas divertidas, com os rapazes da turma,
procurando tosões de ouro na Ilha de Caras.
Vai fazer um casamento de conveniência
com uma princesa que trabalha pra uma editora famosa...
Dizem que a Medéia Callas, que estava com ele até outro dia, está bravíssima,
jurando vingança.


                                             até já!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

crise III

A Esfinge tem uma reconhecida firma de montar provas para
concursos públicos, vestibulares, exame da Ordem...
e faz dinâmicas para  preenchimento de altos cargos em empresas de grande porte.
Quem passa nos seus testes dificílimos, está feito na vida!


Aegle, Vésper, Arethusa, são designers de jóias e logotipos.
Seu símbolo mais expressivo, a maçã de ouro,
virou "logo" da marca de alta tecnologia das mais importantes do planeta.
Têm usado o Jardim das Espérides como espaço, muito elitista,
pra exposição de arte de vanguarda.


Continuo a postos, qualquer novidade informo a vocês.    
                                                                                     
                         
                                                        Até já!
                           

Crise II

Fui alertada pelos meus correspondentes

de que a Medusa montou uma "estetica"
bem perto da Placa; um lugar da moda ali na Grecia;
e deixa todo mundo com cara de estátua.

Ela oferece ainda tratamentos que dão vida aos cabelos.

Está montando sucursais nos melhores SPAS clínicas e consultórios
de cirurgiões plásticos pelo mundo
com a tecnologia , o intrumental e procedimentos que adquiriu na Venezuela.

Dizem meus correspondentes ,
que quem está amasiado com o general é o Ares.

Ele publicou mesmo o livro,
e o casal  vende  sim o know-how de guerra pra quem pagar bem
e por conta dessa atividade eles tem informação privilegiada
na compra e venda de ações desde material bélico até botões de elevadores...

A Athená vive mesmo é de exportar azeitonas: maduras, polpudas e macias.
Claro que ela emprega albaneses e poloneses na pior, pra colheita.

E o Minotauro estrelou dois filmes.
Chamaram Hellboy alguma coisa.
Parece que foi sucesso de bilheteria e ele ganha royalties da distribuidora,
que os inseriu na programação de TV por assinatura

Zeus achou um filão importantíssimo na utilização de seus raios
na conversão de eletricidade limpa e barata. Isso já está resolvido.
Seus acessores estão tendo dificuldade em desenvolver uma embalagem que não mate o  remetente, o emissário,  e o freguês.

Foi quase assim...  Até já!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Crise na Grécia I

Está singrando pela internet
a revelação das consequências da crise financeira
pela qual a Grécia está passando.

Algumas pessoas queridas me pediram pra dar a minha abalizada versão dos fatos.

Lá vai:

Perseu montou uma firma de segurança com Belerofonte.Cuidam só de celebridades.

Hefesto tá usando umas alavancas na perna pra deixar de mancar,
vende jóias pelo leilão da TV, junto com Hades que vende suas esculturas
em tamanho natural, da sua representativa fase "Quem mandou olhar pra tras?"

Os dois têm ainda um negócio não muito lícito, de contrabando de armas brancas
e convenceram Penélope e Procne a vender pela mídia televisiva,  suas tapeçarias.

Zeus com problemas de manutenção do Olimpo,
montou alí um "sujinho" em sociedade com Hebe e Ganimedes,
que exigiram que fosse porquilo pra não servirem as mesas.
e já estão franqueando a marca, que pega pela ironia.

Hermes tem franquias de Fedex, Sedex e similares,
uma transportadora de carga internacinal com aviões próprios
e com containeres em navios e tudo.

Aquiles não via resolvido seu trauma do calcanhar,
Atlas que morria de dores nas costas,
Prometeu por causa do fígado
e Tirésias que precisava de córneas
juntaram-se a Asclépio e meteram um processo milionário no seguro saúde.
Vivem de renda, velejando pelo Egeu.

Hipócrates é chefe de pesquisa de medicamentos da Shering.

Hércules perdeu seus doze trabalhos e com Teseu  montou academias de ginástica treinando levantadores de peso para competições internacionais. Seus pupilos vencem todas.

Démeter está trabalhando pra Monsanto em pesquisa de transgênicos.

Perséfone montou um inferninho no Hades que tá bombando.

A Nestlé somou aos seus congelados um ragú
e paga uma grana alta de royalties pra culinarista responsável,
que é ninguém menos que Filomela.

Dionisos errou no corante e as garrafas do seu vinho ficaram azuis,
não podia perder o investimento, exportou assim mesmo.
Diz que faz um sucesso louco

As Musas estão fazendo coro em Glee.

Phebo montou franquias em todas as plagas onde se alugam charretes.
Estava indo bem mas o sucesso veio quando fez sociedade com Pégaso,
Unicórnio e o centauro Kiron.

Amaltéia é embaixadora da Unicef  viajando o mundo pra arrecadar fundos pra infância desamparada.
Dão o maior Ibope suas palestras sobre amamentação.

Archimedes tem um lucrativo negócio de coroas, pra misses, reis, bailes à fantasia,
tem se esmerado nas tiaras.e está derivando pros pentes à  espanhola,
espetos de gueixa, ramonas pra chignons, fivelas...
tende a crescer mas ainda é bico pra complementar o seu salário
de chefe do DNER na fiscalização de balanças nas estradas.

Narciso está badaladísimo desenhando espelhos pra Baccarat.

Ártemis montou uma ong em defesa das corças e entrou para o Green Peace.

A premiação do Tragos será ao vivo, com tradução simultânea, e comentários do Rubens Ewald.

Athena tem feito belos chapéus de casamento e se mantém com isso e ,
treinando corujas pros filmes do Harry Poter
Dizem as mas línguas que ela está amasiada com um general do exército
pra quem ela assopra estratégias de guerra..
O general  vende pro mundo inteiro
e racha os dividendos das ações do armamento e material de apoio com ela e Ares,
que é quem tem as manhas da arte da guerra.
Este andou publicando um livrinho sob pseudônimo que foi best seller.

O Minotauro teve participação especial em "Crepúsculo"

Epicuro, coitado, tá fumando maconha medicamentosa pra sedar as dores,
mas montou uma bela rede de ensino, a Peripatética, com venda de apostilas
cursos de línguas e computação.
Parece que no ano que vem ele vai pedir o registro de universidade.

O Sócrates fez plástica, implantou cabelo, oferece consultoria motivacional
nas empresas, escreve livros de auto-ajuda, tais como: Inteligência Maiêutica,
Cura pela Maiêutica,  Maiêutica e Destino, Pare de Sofrer com a Maiêutica...

Safo montou um resort chiquíssimo na Ilha de Lesbos recebendo grupos de terapia de casais homoeróticos
e  alugando  pra eventos da "Caras"

Eros montou um curso de arco e flecha que vende pras empresas pra dar um up grade no moral dos executivos.

Afrodite é modelo e manequim. A mais requisitada pra qualquer grande evento em Paris, Milão, Noviorque.

Perseu e Neptólemo  montaram agencias de segurança patrimonial por todos os países, com treinamento requintado e asceclas do mais alto padrão.

Ulisses tem uma agência de viagem a "Turismo Ática", em sociedade com Posídon
que ainda cuida da parte artística agenciando as sereias, os golfinhos, as nereidas, promovendo espetáculos aquáticos e campeonatos de surfe, e concursos de dança com ênfase no ragae e  calipso.

O cavalo de Tróia é alugado e reciclado todos os anos por Helena, que é uma das carnavalescas mais importantes do Sambódromo e da Sapucaí e ainda faz umas incursões no Boi de Parintins, devidamente corneado é claro. Pra parecer com um bovino, ó pá! não tem nada a ver com a Helena.
Êta gente fofoqueira...

Demóstenes oferece consutoria em fonoaudiologia e, se não me engano, até um rei ele curou de gagueira.

Péricles foi pego no Parthenon fumando com uma estagiária. Deu um buchicho danado

Diógenes saiu do barril. Encontrou seu homem sincero.

                                foi mais ou menos assim!                    até já!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tirésias

Era uma vez um menininho chamado Tirésias.
A mãe dele era a ninfa Cáriclo e seu pai se chamava Everes.
Não ha nada que os destaque no panteão senão o fato de serem pais do Tirésias.

Lá pelo início da puberdade ele estava flanando por um campo quando,
sem mais aquela, ele separa um casal de serpentes enroscadas, transando e mata a fêmea.
Imediatamente ele é transformado em mulher
Por vários anos ele é uma moça e vive sob essa identidade.

"Meu nome é Tirésias, mas pode me chamar de Tirésias..."

É verdade que tem gente à bessa que não se apropria muito de
qual é a sua, no início da sua carreira namoradora...
Tirésias portanto, não é excessão.

Já mais avançado na juventude, Tirésias está subindo uma colina
quando encontra um par de cobras copulando e desfaz o par, de novo.
Mata a fêmea de novo e volta à sua forma original, de rapaz, como fora um dia.

Desta vez ele matou a cobra e mostrou o pau.

Numa noite rotineira no Olimpo, durante o jantar, lá estão Zeus e Hera
numa briga dos diabos, digo; dos deuses,

por conta de um assunto de relevante importãncia:
quem tem mais prazer durante o sexo, o homem ou a mulher?

Como ninguém chega a qualquer entendimento,
por ter vivido sob os dois gêneros sexuais,
é chamado Tirésias pra desempatar a questão.

Ele é definitivo, se o prazer sexual fosse fracionado em dez partes,
a mulher obteria nove dessas fatias e o homem uma só.

Claro que todo mundo cre que a Hera se  envaideceria com essa resposta
porque ela poderia esfregar no nariz do Zeus a superioridade sexual feminina...

Nada! ela fica danada da vida.

O Tirésias cometera dois pecados: primeiro revelando um segredo.
A sexualidade feminina deveria ser mantida envolta em véus,
disfarçada e passível de ser esgrimida ao bel prazer (literalmente) da usuária;

segundo pecado, ao contrário do que se pode pensar de imediato
essa declaração exibe a mulher muito dependente do homem  para receber todo esse festejo físico,
o que confirma a superioridade masculina.

Zangadíssima que fica com a indiscrição do Tirésias
a deusa tira-lhe a luz do olhar.

Tirésias é tornado cego.

Cáriclo se insurge contra o tremendo castigo imposto ao filho
e carrega nos adjetivos depreciativos contra a deusa, braços erguidos, mãos cerradas, pronta pro ataque.

Hera  num passinho atrás, compensa Tirésias dando a ele
o dom de advinhar, com precisão e requinte, o presente, o passado e o futuro.

O cego Tirésias é tornado vidente embora continue sem enxergar.

                                                  Foi assim... Até já!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Propósitos

Prometeu era do panteão dos deuses a que pertenciam Zeus, Démeter, Mnemosine.
Ele prismava os humanos sob lentes diferentes das dos demais deuses.

Ele acreditava que a humanidade deveria ser independente,
e decidiu dar aos homens o fogo,
para o qual  poderiam inventar uma porção de usos,
além de aquecer-se e de obviamente,
mantê-lo aceso para homenagear os Olímpicos.

Zeus fica  furibundo com essa iniciativa.
O fogo era apanágio do divino,
os mortais não deveriam nunca se apropriar dessa mágica.

Prometeu é acorrentado à uma pedra,  em decúbito dorsal,
braços abertos para o Cáucaso,
pra facilitar o acesso dos abutres ao seu fígado
que seria bicado pelas aves e cresceria de novo,
e de novo beliscado, crescendo outra vez..
É da natureza dos fígados se refazerem
até o amargo fim, a não ser quando estão com cirrose...

Ele é condenado a viver esse castigo eternamente.
Até que Hércules acorreu em seu resgate...

O que me alegra é que Hércules salva Prometeu,
aquele mesmo que era um herói e não um deus.
Os outros deuses não vieram em defesa
do deus da providência.

São sempre rejeitados, os semelhantes
de quem não se reconhece
os princípios, os métodos, as crenças.


                                             Foi assim...   Até já!    (11/11/11)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um cacho

Naquela manhã, o sol dourou e corderrosou os céus de Nisa muito cedo,
despertando Dionisos,
que ainda estremunhado pelo frio da noite,  foi obrigado a se levantar.

As cabritas já se movimentavam fora da gruta
e ele não podia deixá-las pastando sem a atenção do seu olhar.

Ele caminhou, seguindo seu rebanho, por várias horas,
somente parando aqui e acolá para
beber de um ribeiro ligeirinho que serpenteava pela pradaria.

Era o filho muito amado de Zeus
Dionisos era um belo exemplar de deus,
que sentia enorme prazer em cumprir as funções corriqueiras,

cuidando de suas cabras,
colhendo o leite para o queijo generoso e macio,
cabeceando com as crias mais buliçosas,
cuidando para que nenhuma se encalacrasse
em qualquer greta no pasto,
ou se enredasse nalgum espinheiro.

Ria das brincadeiras que elas faziam entre si,
enternecia-se com os cuidados
que as mães ofereciam aos filhinhos,
identificava~se com os bodes grandes
e fogosos na época da cruza.

Aquela manhã quente no entanto estava esgotando seu entusiamo.

Quando o sol ia a pino as cabras buscaram sombras de árvores
depois de sorver longamente a água fresca do regato.

Dionisos aproveitou esse aquietamento e procurou um lugar,
ele também, para fugir da inclemência calorenta de Phebo,
que brilhava. absoluto.

Olhou à roda e numa elevação do campo, junto de algumas árvores,
Dionisos percebeu um convidativo caramanchão sombreando a relva verdejante.

Quando se aproximou viu que
sarmentos lançavam a vide a se espalhar nos olmos.*

Escolheu aquele recanto pra fazer a sesta.

Abaixou-se pra entrar no ensombrado nicho e aspirou um perfume delicioso
que não sabia de onde vinha, que desejava tivesse substância pra que ele pudesse tocar e ver

O que cheirava daquele jeito devia ter maravilhosa forma,
consistência agradável,
cor deslumbrante,
textura de sonho...

Dionisos olhou, vasculhou o solo com o pé,
arrepanhou as folhas irregulares que pendiam dos ramos,
examinou as garrinhas em espiral que se enroscavam
nos troncos dos olmos e na encosta da colina.

Não achou nada que explicasse o aroma
e na frescura da folhagem  que o protegia
ele se deitou na relva.

Dionisos estava molinho e quase adormecido quando Phebo enviou-lhe
raios que se filtraram na ramagem
e foi aí que ele viu, brilhando, rosado, lindo e suculento,
um cacho enorme de uvas...

Ele era bem jovenzinho,
na fase das descobertas, quando a beleza compõe
a codificação dos valores.
Ficou deslumbrado com aquela visão

Ele ergueu o tronco e apoiado-se sobre o cotovelo,
estendeu o outro braço; envolvendo com a mão aquela
maravilhosa  pirâmide rósea iluminada pelo bruxuleio da luz
filtrada pelas ramas.

Calculou mal a força que devia fazer pra arrancar do caule
o cacho de cheirosos, suaves bagos suculentos.
As uvas se romperam e o sumo lhe escorreu pelo lindo braço forte.
Ele sorveu aquele suco, que lhe soube divino.

Dionisos acabava de inventar o vinho...

* Eu usei uma frase de um poema que conta a lenda de Filomela,
daquele maravilhoso tradutor adrede citado.

                                          Foi assim...                     até já!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Billy Eliot

Eu posso rever Billy Eliot infinitas vezes.
Não importa que eu já tenha visto o filme naquele mesmo dia,
eu assisto de novo e sempre descubro um novo gesto,
uma tomada de câmara, uma frase... 

Sei que vocês vão dizer que é tudo mentira, que não pode ser,
um filme tolinho, quase infantil, tão romântico...
É, mas tem a tal greve dos mineiros de carvão.

Tomar a terra, moldar, fazer da argila um objeto com função cotidiana...
Ser a Terra,  gerar na terra,  materializar, dar forma, formatar na deusa,
faz-nos pensar que os oleiros comunicavam-se com o divino
nos primórdios da fundação da humanidade.

Os oleiros tinham familiaridade com a Terra, a Géia, a Gaia, a Rhea:
a mesma intimidade que os mineiros demonstram
ao tirar das entranhas da deusa, o minério,
que será formado para aumentar
suas forças: o martelo;
seu alcance: a lança;
sua proteção: o escudo...

Dá ao mineiro,
em seguida ao ferreiro,
mais tarde aos alquimistas
depois aos químicos
e hoje aos bioquímicos,
o encantamento e a divindade que possuem os heróis.

O trabalho dos mineiros, em quase todas as culturas, exige o envolvimento do sagrado.

Um gesto ritual no momento de descer às profundezas,
um culto protetor quando da abertura e aprofundamento da mina.

Estar sob a superfície, meter-se sob a terra,
arrancar dela seus tesouros,
torna seu explorador divinizado e profano (profanador)
 
Eram suas armas que traziam as vitórias nas guerras,
eram eles os conhecedores dos mistérios
que transformavam as benesses da terra em vantagens,
em superioridade contra o inimigo.
O bronze em escudo e lança.
O meteorito em machado e martelo.

A tribo dava um jeito de conservá-lo num isolamento seguro:
os ferrreiros eram presos,
tornados coxos para não fugir
encadeados nas correntes que forjavam,
vigiados, destinados aos deuses,
tornados mudos para não revelar seus segredos...

Billy Elliot  é resgatado do submundo e alçado aos céus em forma de cisne.

Essa é uma saga que pode ser experimentada
por uma porção de gente, nos dias atuais,
que explica a atração fútil e imediata que as pessoas tem pelos famosos...

Abandonar o submundo e alçar voo acima do comum dos mortais.
Essa é uma das consequências do sucesso.

No trajeto corre-se o risco de ficar manco,
mudo, vergar sob o teto baixo das galerias

mas se não for pelo valor do ferreiro,
pela transformação do minério
e pela importância do artefato, 
o ferreiro ficará de mãos vazias e inútilmente enredado nos elos que forjou.
                       
                                      foi assim....               até já!

     

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Hefesto

Hefesto, aquele que brilha de dia.

Tem toda a minha simpatia, o Hefesto. Os adictos sempre têm
Qualquer que seja a adição, qualquer cigarro, drinque,  pico ou comprimidos, chocolate ou ginástica
e qualquer grande amor.
Hefesto era totalmente apaixonado pela Afrodite dos gregos,
Venus lá dos Romanos
Ela a mais bonita das deusas, ele o mais feio dos deuses.
Claro que se casaram.

Como se sabe, os ferreiros eram mancos, tinham cicatrizes muito feias,
ou lhes faltavam dedos e outras partes do  corpo como a orelha, um olho...
se nós temos marcas de batalha por picar cebola e estrelar ovos,
imagine no fogaréu de uma forja e no malhar da bigorna como é que ficaríamos?

Não é só isso.
Frequentemente o ferreiro tinha marcas
da sua dedicação á causa da guerra por ter lutado
e não somente pelos acidentes sofridos na oficina obscura de seu povoado.

Os ferreiros, não raras vezes, haviam sido bravos guerreiros.
Tivessem sido fracotes não teriam perdido só um pedaço de si mesmos...
Seus ferimentos os tornavam incapacitados para o serviço militar
mas não para a vida civil,
como rezam as dispensas do exército até hoje.

Por sua intimidade com os campos de batalha,
com a luta aguerrida no enfrentamento corpo a corpo,
sabiam das necessidades dos soldados
tanto no ataque quanto na defesa.

Eram portanto mais competentes para desenvolver e fabricar
o arsenal bélico apropriado e resistenste, melhor do que qualquer outro,
o que era uma baita vantagem contra os oponentes.

Assim os deuses ferreiros da maioria das mitologias são coxos e feios,
escandalosamente fortes porém sensíveis.
É preciso sensibilidade para cuidar do semelhante, oferecendo a ele os meios de obter sucesso.

Um sucesso que angariava a boa vontade dos chefes tribais
e das casadoiras de plantão
e que ele, ferreiro, não mais obteria.

Excetuando Thor, é claro !

Só pra ter pé na situação;
veja quantas personagens se nos apresentam
e nos cercam por toda a vida
e que carregam esse mesmo jeitão do arquétípo que comove... 

A Fera da Bela, o Quasímodo da Notre Dame, o Cirano de Bergérac,
todos os órfãos das narrativas inglesas dos 1800,
o dono da Escrava Isaura, o médico da Inocencia, os palhaços, os piratas, os vampiros
e os cafajestes (e as piriguetes) com quem nos deparamos na nossa caminhada
e aos quais mais à miúde do que deveríamos, entregamos nosso coração,
e acreditando em sua conversa, carregamos sua bandeira.

A exemplo do que foi feito nos Heróis,
tentemos encaixar nesses paradigmas alguns circunstantes.
Assim nos damos conta de que
o pecado original não mora ao lado, nasceu mesmo conosco.

Seu outro nome é " que grande engano!"
a pessoa não era o ferreiro, mas nós já nos ferramos...


                                            foi assim...                até já !

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mnemosine

À deusa Mnemosine, mãe das nove Musas, é atribuida a proteção da memória.  Ela era uma das filhas de Cronos e Réia e seus irmãos eram Zeus, Hades e Posídon, Démeter, Hefesto... um time de primeira linha.

Numa passagem linda, no "Adriano", Marguerite Yourcemar conta que, num papinho entre Sócrates e um jovem poeta recém egresso das Dionisíacas, o poeta narra sobre as festividades e como foram as tragédias e quem ganhou o Tragos... fofocas de praxe, como as do Oscar.

Instado por Sócrates a declamar o poema vencedor, o ascecla diz ser incapaz disso mas que o que transcorrera naqueles dias para a glória de Dionisos, Sócrates poderia ler em algum tempo mais prá diante.
O lente horrorizado pergunta  "Se escreverem o conhecimento (o logos), não haverá mais necessidade da memória.  Como se honrará Mnemosine?"

Ou seja, a forma de homenagear a deusa mãe das artes era recordar-se.
Simples assim : ao se lembrar você cai nas graças de Mnemosine.

Os gregos levavam tão a sério a recordação, que quando o Hades  ainda era só o submundo isolado pelo Estige, onde Caronte remava garantindo a entrada desde que pagassem, e Cérbero vigiava com suas tres cabeças, latindo e uivando e cravando os dentes nos incautos que tentavam sair dali, antes de haver o conceito de Campos Elíseos, o Hades era o lugar no qual seus habitantes de nada se lembravam,
o lugar dos sem memória.
O inferno é se esquecer... 

Dizem que os poetas apresentavam suas obras de cor e não satisfeitos com essa assombrosa competência, saiam das festas tendo na lembrança  todas as odes representadas durante os três ou  quatro dias de festejo.
Na antiguidade helênica as pessoas tinham muitos gigabytes.

Pobre do Homero que não tinha post-its, não lançava mão de lembretes pra todo lado.
Com tais recursos fica fácil contar a Odisséia e descrever os mitos e suas peripécias.

.                                          foi assim...                até já !

sábado, 23 de julho de 2011

Cancan o Mito

Cirene era uma belíssima ninfa.Claro que Apolo raptou a moça que gostava mesmo era de caçar.

Cirene teve da união com Apolo; Aristeu que foi amadrinhado pelas ninfas-murtas, sabidíssimas, que ensinaram a ele a coalhar o leite pra fazer queijo, cultivar  oliveiras e extrair o azeite, cuidar das abelhas e recolher o mel.
Os produtos que ele obtinha nas diferentes atividades, eram saborosos pra valer e ele fica bem importante por causa disso.

Um dia Aristeu viu, caminhando sozinha, Eurídice, que era uma beleza, decide que a quer para si e perseguiu a moça que fugiu numa corrida desabalada, pulando raízes, topando em pedras, escorregando no musgo afundando na lama, esfolando-se nas árvores, arranhando-se nos espinheiros e pisando numa cobra, que pica seu calcanhar.
Ela morreu por conta desse ferimento.

Hermes, o deus psicopompo, encarregou-se de levá-la para o Hades. O inferno lá deles.

Eurídice era noiva de Orfeu, completamente apaixonado por ela. Ele era  um músico irretocável, comparado a Apolo em musicalidade.
Ele compunha, tocava e cantava de amansar feras, enternecer desalmados, melhorar tudo com sua arte.

Numa profunda melancolia, pela morte do seu amor, Orfeu não saiu do luto, não tocou nem cantou mais e a terra ficou muito triste sem suas cantigas.
Os homens entraram no clima depressivo e os deuses chateados conversaram com  Zeus que concedeu a Orfeu ir buscar sua amada no submundo.

Em lá chegando Orfeu argumenta, pede,  implora,  humilha-se,
beija os coturnos do Hades que não está nem aí.

Perséfone, a mulher do Hades, boasinha, intercedeu  junto ao marido e este fez um trato com Orfeu: ofereceu-lhe um tempo bem exíguo pra ele sair dali com Eurídice mas ele não poderia olhar para trás sob nenhuma circunstância.

Lá ia Orfeu apressado abrindo caminho e confiando que Eurídice conseguiria seguí-lo.
Já via um facho de luz da superfície, quase lá, ele quis se certificar que sua querida estaria no seu encalço.
Ele olhou para trás e Eurídice foi tranformada numa estátua.

Essa tragédia deu samba, óperas várias e o cancan.


                                                                 foi assim!                então inté jacaré...

domingo, 17 de julho de 2011

Ledo Engano/Eurínome

Nas mitologias primitivas a origem do mundo devia-se às deusas que pela partenogênese geravam seres reponsáveis pela organização da natureza, do tempo, da vida.

Todos os seres viventes, todos os inanimados, tinham em comum sua orígem: eram criações da deusa mãe, que daí sim , em cada cultura configurava um hierofania particular.

Pra algumas era a lua, a estrela vesper ou d'alva, a própria terra, o céu, um animal, a baubo mítica, uma gruta misteriosa, uma entidade imaginária, uma pedra ou montanha, rio, mar ou lago, árvore...

Melanie Klein constatou que crianças pequenas acreditam que o bem e o mal lhes vem dos seios da mãe.
Os povos primitivos ampliavam essa percepção para a Terra e aderredores.
Todo o bem e todo o mal: as mães e as erínias.
A felicidade suprema e o inverno da desesperança.

A capacidade de conceber, gerar, parir, alimentar e cuidar dos descendentes,
para o entendimento dos nossos ancestrais, tinha um caráter divino.

Aliás, mesmo hoje, com a habilidade de criar seres usando provetas, pipetas, congelamento, centrífuga, células e hormônios,
de acompanhar o desenvolvimento do bebê dia a dia pela janela da ultrassonografia,
a maternidade ainda é misteriosa.

As especulações éticas não acompanham na mesma rapidez, o conhecimento biológico.
Se nem a descriminilização do aborto foi resolvida,
como a criação de seres, especialmente nossos semelhantes,
pode ser abrigada tranquilamente na moral das sociedades?.

A proposta de que todas as espécies merecem um lugar ao sol (dependendo da espécie à sombra e água fresca) só começa a ter reconhecimento em poucas consciências e mesmo assim com quase nenhuma representatividade no mundo civilizado.

.A despeito de todo progresso ainda nos arrogamos reis da criação.

 Ledo engano. Gaia ciência.

                                        então inté jacaré...


Eurínome


Na mitologia pré helênica  Eurínome, a deusa de todas as coisas, emerge do Caos e vai dançando separando o céu e o mar .
Cada vez mais tomada pelo baile cria ventos e decide que eles são propícios
à geração de uma serpente com quem copula botando a seguir, o ovo universal.

Ela choca esse ovo sobre as ondas e a tal serpente se enrola nele sete vezes,
fazendo a primeira  incubadora,
a casca do ovo se rompe e dele saem filhinhos: o firmamento com todos os astros e planetas, a Terra com todos os seus acidentes geográficos e toda a vida de plantas e bichos.

Ela escolhe prá viver o monte Olimpo e, como a tal serpente Ofíon, quer os direitos autorais do big bang
a Eurínome achata sua cabeça com o calcanhar, arranca seus dentes e
exila a atrevida para os confins mais escuros.
Daí então ela arranja Titãs  para serem  responsáveis por sete (sempre o sete!), corpos celestes: Lua, Sol,  Mercúrio,Venus, Marte, Júpiter, Saturno.

Sob sua égide, o primeiro homem se eleva do chão da Arcádia, donde nascem mais alguns e
o primeirão, Pelasgos, cria as indústrias extrativas ensinando aos demais a
comer os frutos do carvalho, usar a madeira lá da Arcádia pra fazer cabanas,
a usar couro de javali pra fazer as túnicas...
enfim, valer-se dos recursos naturais pra viver, ainda antes de plantar e pastorear.

Há semelhança nas diferentes mitologias. A deusa primordial é usualmente responsável sozinha, pela fundação do universo.

Mais do que explicado portanto, o medo e consequente repressão exercida;
pelos machos humanos (ainda hoje em muitas culturas),
sobre a curvilínea metade da humanidade.

Eles nem levam em conta que são mais bonitos que as fêmeas.


                                     foi assim...          então inté jacaré!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

De gustibus et coloribus non est disputandum



Eu não gosto do Apolo.
Ele não era tão nobre como quer parecer, nem tão sábio.Não era o esteta superior que dizem.

Ensinou-nos o bom e sábio Nietzche, a espelhar Apolo em Dionisos.

Ao fazer isso, para mim, o do vinho sai da pareação com muitos pontos de vantagem.

Dionisos era lindo, era parceiro dos homens, era alegre, gostava de farrear e de amigos à sua volta.
Se suas seguidoras, num  momento adiantado do seu culto, tornaram-se más, destrutivas e assassinas,
isso não se devia ao culto de Dionisos por ele mesmo e à custa da embriaguez do vinho, como se atribuiu sempre.
É que elas ficavam doidonas por comerem um cogumelo alucinógeno, de acordo com a pesquisa do ilustre Robert Graves.  O entusiasmo, típico - e originado - dos bacanais, significava  ser tomado pelo deus 
e não a loucura desmedida e criminosa, a qual se viu nos bacanais tardios do Império Romano.

O da lira usou a lira do Hermes, não a inventou e aliás foi num péssimo negócio que ele a conseguiu.
Conseguiu a flauta de Pã num outro negócio de grego com o Hermes.

Perdeu uma competição musical e mandou esfolar o oponente vencedor,  o sátiro Márcias, enquanto este ainda vivia e pregou a pele dele numa árvore.
O rio Márcias ainda está lá pra comprovar o mau perdedor que Apolo era.

Perseguiu determinado, a ninfa Dafne que não quis saber dele, até que ela foi tranformada em loureiro pra escapar do assédio. Ficou com remorso? sentiu pena dela? Nada! tomou para si a árvore, para fazer com seus ramos, a coroa dos vencedores em concursos.

Tinha uma princesa chamada Corônis que era noiva e apaixonada, já pra casar e tudo, mas o Apolo quis porque quis a moça e se deitou com ela. Foi assim que nasceu Asclépio, o deus da medicina.
Só que durante a gravidez a Corônis andou se encontrando com o noivo, Ísquis.
Um corvo branquinho como espuma, contou pro Apolo que muito patife ,
mandou a irmã Ártemis, a caçadora, dar cabo da Corônis a flechadas.
Nem pra  executar as próprias covardias ele era honesto, esse tal deus das artes.

Ainda chamuscou a plumagem do corvo, que transmitiu à sua espécie o seu sortilégio, tornando-se os corvos pretinhos como carvão.

Uma ninfa, a Dríope, estava com umas amigas pastoreando despreocupada quando Apolo finge ser uma tartaruga, adormece a bela enquanto ela brinca com a cascuda e ao fim de nove meses nasceu-lhe Anfisso,
que é um deus arquiteto.

Parece que os feitos dos filhos foram referência para o pai.

Quando se apaixonou pelo Jacinto, lindo mancebo que despertava paixões avassaladoras, pra não sofrer comparações com outro pretendente, o poeta Tamiris, ele faz uma intriga com as musas e estas privam o poeta da voz impedindo-o de cantar o Jacinto.
Quando Apolo está na jogada não tem pra ninguém! Usando dessas patranhas, não tem mesmo!

Havia ainda as nove musas, cada uma com sua especialidade, inpiradoras de todas as artes e ciências
e que eram suas meio irmãs por parte de Zeus (e quem não era?)
elas também servem de referência ao Apolo Febo.

Ele era o luminoso. Lúcifer também não era?
Como Lúcifer ele também é expulso dos céus. Só retorna pela interveniência da Géia, a mãe dele.

Claro que o Apolo teve seguidores muito fieis e que ele é aclamado como um deus solar enquanto Dionisos é visto como um deus noturno, soturno...

Eu não sou senão uma modestíssima mitófila...mas experimento cá umas controvérsias...
       
                                       foi assim!                       então inté jacaré...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os Titãs

Os Titãs são a primeira leva dos filhos divinos no panteão grego.

Eram monstruosos na aparência,  desmedidamente fortes, terrivelmente feios e muito maus.
O progenitor, Urano, os enterrava um a um conforme iam nascendo.

Um dia o filho Chronos pegou uma espada e zapt! cortou o pinto do pai.

O esperma derramado se espalhou pela terra

preenchendo cada reentrância,

escorrendo em toda saliência,

demorando-se em cada platô,

formando assim  os rios,

lagos, cachoeiras e nascentes.


Produziu as árvores, as flores,

os pássaros, os peixes,

os sapos, as cobras e lagartos,

as conchas e caracóis, os insetos,

o bolor,

os animais de pêlo e teta.

A vida tomou  forma e
o planeta ganhou o aspecto  que quase vemos hoje em dia;

quando não tem asfalto e concreto.

                                                  então inté jacaré...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Hermes

Gosto do  Hermes.
Aquele deus, bonito como um deus.

Hermes era filho do Zeus e da Maia, a plêiade caçulinha, filha do Atlas.

É, aquele mesmo que carregava o mundo nas costas,
que naquele tempo, antes do Atlas virar elevador, inda era redondo.

.Só fica chato depois do Platão
(que era chato; plato. Se fosse rico seria pluto, com o L)

Diz a lenda que assim que foi tirado do útero e enfaixado,
como costumavam fazer com os bebes,
Hermes livrou-se das faixas e saiu pelo mundo.

Muito ousado, roubou um punhado de rezes
da manada que estava sendo cuidada por Apolo.

Enquanto fugia encontrou uma tartaruga da qual arrancou o casco
e fez com ela a primeira lira usando tripas para as cordas.

Foi pego, com a boca na botija, roubando os bois mas ele tocou sua lira com tal virtuosismo
que Apolo topou trocar os bois roubados pela lira mas Hermes quis também o caduceu de ouro do Apolo.

Depois roubou a flauta de Pã, cuja qual trocou com Apolo pelo cajado de ouro que este carregava.

Era um consumado e fascinante embrulhão, capaz de vender o Pão de Açúcar,
com bondinho e tudo, prum turista incauto.

Zeus, quando ouviu as artimanhas do Hermes divertiu-se tanto que fez dele seu negociador
para assuntos diversos,  pessoais ou Olímpicos, fazendo-o jurar
que não roubaria mais e diria quase sempre a verdade, quase toda.

Hermes recebe assim, as sandálias de ouro, com asinhas,
o que o faz veloz como o vento
e o elmo de ouro,com asinhas,
o que o torna invisível
e capaz de se localizar em qualquer geografia,
inclusive no escuro.

Ele estava sempre enredado nas patranhas,
mumunhas e confusões em que se metiam os deuses
Atendendo a pedidos ele relatava
as indiscrições das deusas e tambem vigiava maridos traíras

Viajava pelo mundo declarando paz,
 propondo tréguas,
defendendo e atacando pontos de vista,
assumindo as causas dos deuses,
sob seu proprio critério ou argumentando pelos interessados.

Em qualquer contenda, pra ter certeza da vitória,
era só botar Hermes como seu representante.
Era um articulador imbatível e foi emissário em muitas encrencas:

Foi ele quem negociou, com a bela Calípso
a libertação de Ulisses da ilha onde ele se encontrava prisioneiro,

matou o Argos dos cem olhos, que mantinha Ío prisioneira,

conduziu, para o desfile de gala, tres deusas
que disputavam a coroa de Miss Olimpo,

escoltou  Psiqué noiva, para o seu casamento com Eros,

levou o pobre do Prometeu para o castigo,

carregou Dionisos, quando era pequeno,
pra diferentes sítios, escondido da ira da Hera.

Embora fosse melhor diplomata que lutador,
ficou invisível e lutou ao lado de Zeus contra os gigantes.

Entre tantas façanhas que desempenhou,
por ser ele quem transitava melhor nos tres reinos
que não são o executivo, o legislativo e o judiciário mas
o Hades, o Oceano e o Olimpo,
recebeu a missão de ser psicopompo; aquele que transporta as almas para o Hades

Zeus o incumbiu de ser amigo dos homens
então ele ainda está por aqui
cuidando para que nos locomovamos como o vento,
transportando-nos pra outras esferas,
propiciando- nos invisibilidade
tornando-nos articulados,
oferecendo-nos música

ele agora se chama gigabyte....

                            então inté jacaré!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Píramo e Tisbe

Havia duas famílias que moravam nuns sobradinhos geminados lá pelos lados da Babilônia.

Casais recém casados, com a vida toda pela frente, muito animados, vizinhos de porta; ficaram amigos.

As jovens senhoras davam-se bem, dividiam as tarefas rotineiras:  iam juntas às compras,
ajudavam-se a arrumar armários, colher flores,
partilhavam almoços, trocavam receitas,
cuidavam dos cabelos uma da outra

e os jovens senhores cuidavam do gramado juntos,
emprestavam-se ferramentas,
iam juntos à pelada do bairro,
revesavam-se na churrasqueira,
cotovelavam-se quando a boasuda do 416 passava rebolando.

Os anos foram se passando, ambos os casais já tinham suas crianças,
um guri Píramo do sobradinho da direita de quem vem
e Tisbe uma garotinha, da esquerda.

As crianças cresciam juntas, brincavam, estudavam,
acompanhavam os vizinhos nas férias da família,
vez em quando dormiam na casa uma da outra.
Enfim uma vidinha bem corriqueira...

Um dia, por dá cá  aquela palha os adultos brigaram.
Solenemente, de dar o dedinho e tudo.

Tá de mal? Come sal!
Nem te ligo farinha de trigo!

As crianças foram proibidas de se ver.
Não tem mais Hoppi Hari.
Não tem mais almoço na casa dos avós um do outro...
Nem dividir aluguel em casa na praia durante a temporada...
Acabou! e nem vem com essa birra que não vai adiantar.

Pois bom, as crianças foram adolescendo e
possívelmente porque a grama do vizinho é sempre mais verde
eles queriam muito saber um do outro.

Os pais não deixavam que eles se falassem
mas eles se viam entrando ou saindo de casa,
vislumbravam-se através da cerca do quintal e foram se enamorando.

Um dia Píramo decide falar com Tisbe e faz uma fresta na parede geminada.
Ah! eles conseguem conversar por alí.

Sussuram sobre a injustiça da decisão dos adultos em afastá-los, e
confessam seu amor todas as vezes que conseguem falar através da parede.

Mas não é suficiente.

Querem se tocar, olhar-se nos olhos,
sentir-se livres.
A tensão cresce tanto que um dia combinam encontrar-se.

Disfarçadamente cada um sai de casa e vai pro lugar combinado,
junto á uma fonte, debaixo de uma amoreira que
se cobria de frutinhas tão brancas que semelhva neve.

Tisbe chega antes porque o Píramo se enrolou lá com alguma coisa.

Quando ela se instala na beira do chafariz,

vê que uma leoa tambem vai pra lá pra beber água e

que tem o focinho e as patas cheios de sangue

de alguma caça que havia comido fazia pouco.

Não tem medo por saber que a leoa estava saciada mas não dá sopa pro azar.

Embrenha-se no bosque ali perto esperando por Píramo

Na escapada deixa cair a capa que a leoa vê esvoaçar e deixa-a em tiras.

Píramo chega quando a leoa está deixando a fonte.
Deduz que fôra Tisbe que a leoa matara,
quando vê a capa estraçalhada e ensanguentada no chão.

Não suportando a morte de seu amor, que ele acredita ter sido por sua culpa,
trespassa seu coração com a espada.

Tisbe sai do bosque e entende o que se passou.
Tem ainda tempo de beijar o amado e mergulha a espada no próprio peito
oferecendo-se assim o mesmo destino que Príamo.

Os deuses com muito dó do que acontecera
tingem os frutinhos de vermelho da cor do sangue do namorados.

Alguma semelhaça com uma história posterior não é mera coincidência.

foi assim !                           então inté jacaré...

Belo Adormecido

O Endimião era o Colin Firth lá dos gregos. Bonitíssimo, boa praça e tudo mais.


Um dia, distraida como quê, a Lua, Selene lá pra eles,

descobre aquele moço tão lindo, desperdiçando sua boniteza

no meio das ovelhinhas que ele pastoreava,

sim,bonito mas pobre  e

decide mandá-lo com recomendação muito especial

para a agência de modelos Ford...

NÃO! confundi tudo...

Resolve deitar-se com ele e adormece o mancebo.

Endimião nunca mais acordou.
 
Nas noites de lua cheia ainda o vemos aninhado no coração de Selene.


Só para ilustrar o que falei das histórias de amor serem sempre a mesma

esta canção já  é do nosso folclore  mas
foi composta por Zé do Norte e Zé Martins

Lua Bonita se tu num fosse casada
eu arranjava uma escada pra ir no céu te beijar
e se colasse meu frio co' teu calor
pedia a Nosso Senhor pra nos dois
vir nos casar

Lua Bonita me dá um aborrecimento,
ver São Jorge num jumento pisando teu c'larão!
Por que casaste com um home tão sizudo
que dorme, come, faz tudo dentro do teu coração?

Lua Bonita meu São Jorge é teu senhor
e é por isso que ele vive pisando teu explendor,
Lua bonita se ouvisses meus conselho,
vais ouvir pois sou alheio,
quem te pede é o meu amor.

Deixa São Jorge no seu jubaio amontado
e vem cá para o meu lado
 prá gente viver sem dor

Deixa São Jorge no seu jubaio amontado
e vem cá para o meu lado
pra viver do meu amor.